Um passeio de barco em que se visita um viveiro de crocodilos, faz-nos passar oa longo de um rio onde vive, ou sobrevive, uma inteira comunidade na sua maioria refugiados vietnamitas.
Vivem predominantemente da pesca e de tudo o que o peixe lhes pode dar das várias maneiras em que é transformado. Um dos principais condimentos da gastronomia khmer e arredores é a pasta de peixe ou um versão em pó com a mesma origem. Tem um cheiro arrebatador, do género de dar vómitos, mas como tempero ou condimento é muito agradável.
Ao longo do rio acompanha-se toda uma aldeia praticamente flutuante. A escola, algumas casas que são uma espécie de loja, os vendedores de combustível, conseguido sabe-se lá em que tipo de mercado, os vendedores das suas próprias pequenas produções, e ao longo de todo o rio a presença permanente de pequenas embarcações conduzidas por crianças, onde outras crianças ainda mais novas fazem do turismo o seu ganha pão. Saltam de um barco para o outro com a ligeireza de quem não conheceu outra vida, e carregam pequenos cestos com bebidas frescas que vendem a bordo dos barcos, como o nosso, em que só existem visitantes. Alguns carregam ao pescoço répteis dos que só queremos ver atrás de um vidro, pelo menos, mas para aquelas crianças feitas crescidas em pouco tempo, a intimidade com os rastejantes é tanta quanto a que teriam com a playstation, se tivessem tido a sorte de nascer numa outra parte do mundo, numa outra família, ou até, uma qualquer Angelina Jolie lhe oferecesse o “jackpot do euromilhões e a lotaria do Natal” juntos, e o adoptasse, como já o fez por, tendo até já ganho o título de cidadã nacional, em reconhecimento por tudo o que já fez pelo país.
Foi uma viagem curta que terminava numa loja de artesanato local e no dito viveiro de crocodilos.
A paisagem não podia ser mais tristemente típica, e principalmente no rosto das crianças que nunca chegaram bem a sê-lo, existe a dureza e o olhar deslumbrado de quem por vezes percebe que existe outra vida para além do rio, para além do que lhes calhou, o outro mundo onde fazem as notas de 1 dólar que aprenderam a pedir em troca de tudo. Ainda assim, sorriem, porque o seu sorriso não tem taxa de câmbio e fala a mesma língua de qualquer visitante.




































