Quando uma pessoa viaja muda sempre um bocadinho. Quando uma mulher viaja além de mudar um bocadinho, é também como se tivesse a fazer uma mudança...de casa.
Não tenho ilusões, a minha viagem começa no dia em que tiro a mala da arrecadação. A partir do momento em que começo a pôr roupa lá para dentro, a viagem já está a acontecer. Vários factores a ter em conta na arrumação de uma mala: meteorologia, claro, mas neste caso, embora muito calor, vou encontrar, pelo menos em Singapura, um povo que não convive saudavelmente com o calor e humidade, ou seja, o facto de terem uma temperatura constante durante todo o ano, por volta dos 29/30º e um nível de humidade muito alto, faz com que em qualquer lado, seja um cubículo ou um pavilhão e exposições, exista um sistema de ar condicionado...sempre exagerado. Assim sendo, todos os casacos que levo são para vestir no interior de alguma coisa, para evitar choques térmicos. Nos táxis, por exemplo, nunca estão mais de 15º. Outro factor a ter em conta é o número de dias de viagem, o que para quem gosta de lavar roupa não faz diferença, mas para mim, que evito dar cabo das mãos (só por isso, claro!) é um dos factores importantes, logo a roupa tem que chegar praticamente para todos os dias, sem repetições. Ainda há que contemplar a quantidade de jantares fora e/ou eventos que provavelmente vamos ter, já que ninguém quer perder os créditos da mulher portuguesa jeitosíssima, lá porque está fora. Irrita-me as mulheres, que lá porque estão fora do país e de sua casa, vestem roupinhas simples, práticas e confortáveis, não se produzem, e acham que ser turista implica sempre uma mochilinha e não uma mala como normalmente, e roupas desportivas, como se no estrangeiro se transformassem nas Rosas Mota da vida.
Agora também não me peçam para fazer conjuntinhos por dia, que é o suficiente para não me apetecer vestir nada daquilo. Quando é uma viagem curta, até 5 dias, ainda talvez, uma fatiota ou outra possa ir composta, agora assim, nem pensar, prefiro fazer por quantidade de partes de cima e de partes de baixo, e sapatos ou sandálias, neste caso.
Só por isso a mala deve ser feita com alguma antecedência, para evitar o misturar de coisas que não dão com nada, e toda a mulher já passou por isto. Mas por mais antecedência que tenha, nunca termina antes do momento de sair de casa, e lá está o drama, pesar a mala. As minhas malas vão tão bem feitas, tão organizadas, ou seja, é raro uma peça de roupa ir dobrada, que 20kg cabem em meia mala!
No entanto, na volta para Lisboa já tive várias vezes que me sentar em cima da mala, fazer pressão no tecto do quarto de hotel, em pé em cima da mala, além de outras façanhas, para que a mala fechasse, já que na volta nunca vem tão arrumada, e claro, há sempre algumas coisinhas a mais...chamam-se compras.
O pesadelo da mala nunca acaba, e as balanças dos aeroportos, curiosamente, dão sempre mais peso que em casa, além de que mesmo já sentada no avião vou achar que me esqueci de alguma coisa, esqueço sempre. Até já.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
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